Destaque no caderno de turismo do
Jornal Gazeta de SP de 1957

Ruínas da Lagoinha foram
destaque no Jornal Gazeta de São Paulo em 1957 |
Sob o título “Ruínas que Falam
de uma Época: Riqueza e Desumanidade”, a região ganhou destaque
em 23 de setembro de 1957 no caderno de turismo do jornal A
Gazeta de São Paulo, matéria sabiamente escrita pela jovem
jornalista Regina Helena de Paiva Neto que fala do patrimônio
histórico, cultural e ambiental da Lagoinha dos anos 50.
Com uma visão voltada à defesa do patrimônio material, imaterial
e do desenvolvimento sustentável a jornalista até deu
alternativas que, se hoje fosse aplicada, daria maior destaque a
localidade, junto com uma supervalorização das propriedades.
Sua visita se deu por conta das fortes chuvas que assolaram o
litoral naquela época, já que sua intenção era descansar três
dias no Repouso Califórnia na cidade de Caraguatatuba. Seu
descanso foi de apenas alguns minutos, aqueles que não choviam.
Insatisfeita por não conseguir desfrutar das belezas do litoral,
procurou fazer amizades no repouso, foi quando, sabendo que era
uma jornalista a convidaram para visitar um local, que além de
bonito, nos remetiam a historia da formação do Brasil, comentou
a jornalista. Aceito o convite, saíram em comitiva.
Pela estrada de terra, enfrentaram uma chuva torrencial, ao
chegar ao local se abrigaram numa casa a beira- -mar, como a
chuva não parava voltaram a Caraguatatuba. No dia seguinte, com
o tempo ainda ruim e “ameaçado”, deixaram o carro na praia.
A comitiva foi por uma pequena trilha até o local e lá se
espantaram com a construção ao pé da montanha, próximo ao rio
que da o nome da praia: Era o Solar do velho engenho do Barão
João Alves Silva Porto, uma das vinte fazendas de café que
possuía.
Depois de levantar os dados sobre a localidade, a jornalista
publicou uma página inteira, atraindo assim vários curiosos e
especuladores para a região. A matéria fala sobre os seguintes
temas: Primeira indústria, Os escravos e a desumanidade do
Barão, Mudança de dono e fim da escravidão, E um pouco de
folclore, Etnologia, Tesouros enterrados, Comércio de negros na
Praia da Lagoinha, Um pouco de historia da região.
A mais importante da matéria foi sobre outro aspecto, o de
preocupação com a sobrevivência financeira e cultural da
localidade, onde a autora escreve sobre a possibilidade das
ruínas transformarem-se em atrações turística, cujo tema foi: Um
futuro museu. Sobre este aspecto, a jornalista teceu elogios
sobre o que viu e preocupações com o futuro deste patrimônio,
situação hoje conhecida por todos. Mal ela sabia que se trata
das diretrizes do Turismo Rural, que valoriza não só a
atividade, mas toda a cadeia de desenvolvimento
sócio-sustentavel, aquele que se compromete a trabalhar todo o
processo de desenvolvimento, valorizando a propriedade,
defendendo o meio ambiente e protegendo os patrimônios.
Na matéria autora relembra de uma visita que fez aos Estados
Unidos em 1952, onde destaca o valor que os americanos dão aos
seus patrimônios, referindo-se a qualquer “antiguidadezinha”,
qualquer pequena obra na terra do Tio Sam. Segundo ela, imaginem
se os americanos tivessem um patrimônio como as
Ruínas e a
Praia
da Lagoinha. Naquele ano, a jornalista foi visitar Epbrata, uma
pequena cidade da Pensilvânia. Lá visitaram um pequeno convento,
que foi transformado em um museu. Era só comprar um livreto que
tinha tudo sobre a casinha.
A autora se refere a outros exemplos e reforça sua indignação
sobre a falta de visão de futuro. “Enquanto isso se permite
derrubar patrimônios, não damos a mínima para o litoral, cheia
de preciosidades históricas, casarões coloniais e ruínas em meio
à mata”, comentou a jornalista. Ela termina a matéria toda
empolgada imaginando que realmente alguém no futuro poderá
transformar a fazenda, ou aos menos as ruínas em atração
turística num pólo de desenvolvimento que valorizaria o
patrimônio histórico e as propriedades em seu entorno.
O tempo passou mais a preocupação continua. Todos querem uma
melhor qualidade de vida e bem-estar, naquela época ninguém
ouviu a jornalista. Hoje sabemos que o patrimônio histórico está
desvalorizado, abandonado. Agora não sabemos sobre o futuro das
propriedades, que se não adequarem às novas tendências
ambientais e de responsabilidades sociais, até quando terão bom
preço? Esperamos que por muitos anos.
EZEQUIEL DOS
SANTOS