Em 1967 moradores são presos por
defenderem a natureza
Moradores revoltados com a
aplicação do BHC em seus rios realizaram manifestação em frente
ao armazém do Sertão da Quina. Na ocasião um policial tentou
sacar um revolver para intimidar a manifestação quando foi
contido por um morador de nome “Zé Jean”. Na confusão policiais
solicitaram reforço. Com a chegada de mais policiais alguns
moradores foram algemados e conduzidos a delegacia no centro da
cidade. No camburão estavam os moradores Manoel Gaspar dos
Santos, João Correia, José Jean, Benedito Félix e outros
moradores que não foram lembrados. No caminho outra viatura
parou para dar apoio na condução dos “meliantes”. Quando
anoiteceu foram liberados.
O doutor De Lucca encaminhou um memorando condenando a
aplicação, segundo o médico a continuidade do veneno nas águas
causaria graves danos a saúde da população, além de matar todos
os peixes, animais e aves que também se abastecem daquelas
águas. Policiais também foram à casa de Antonio Gonçalo no
Araribá reprimi-lo por apoiar a manifestação. Na época o
responsável pela distribuição de material e pessoal do governo
era um homem chamado Juca de Caraguatatuba. A aplicação era
parte de uma campanha estadual para erradicar os pernilongos no
litoral.
O que se sabe foi que os rios levaram dez anos para se
recuperar, muitos moradores trouxeram peixes e aves de outros
lugares para o repovoamento. Muitas aves e pequenos outros
animais foram encontrados mortos a beira dos rios de toda a
região. Alguns chegaram a ficar doente tamanha a tristeza em ver
o rio malcheiroso, cheio de limo verde e sem vida, as lágrimas
corriam quando em um “praiado” viam piabas, jundiás e camarões
mortos aos montes. O ciclo de uso foi quebrado, pois o lugar
propiciava água e alimento de peixes a população e aos animais
da época. Moradores subiam as montanhas, nas grandes roças, para
buscar água limpa em novos “olhos dáguas” e nascentes.
Para Manoel Gaspar, 75, foi a pior desgraça que eu já vi em toda
a região. “São recordações que não gostamos de lembrar, no
passado defendemos e fomos presos, hoje não podemos usufruir o
que cuidamos”, comenta Manoel Gaspar desapontado. O BHC é um
inseticida e sua sigla advém do nome inglês - Benzene
Hexachloride (hexacloro-ciclo-hexano)- é um produto que combate
pragas na lavoura, seu uso está proibido no Brasil há mais de 20
anos. A equipe do governo depois reconheceu o mal que causou a
natureza e a aquela população mudando a postura de tratamento ao
povo dos lugares afetados e na aplicação produtos no combate ao
pernilongo. Desta vez aplicadas só aos pernilongos.
EZEQUIEL DOS
SANTOS