Gente da nossa história:
Luiz Henrique de Oliveira, o bom
moço

Luiz Henrique de Oliveira
(1988 - 2008) |
No Sertão da Quina a família de
Guido Correia e Benedito Anastácio estava em festa no dia 24 de
janeiro de 1988, é que nesta data nascia mais um neto, era ele
Luiz Henrique de Oliveira Santos, que como todos por aqui
possuía um apelido. O dele era Lick, tão conhecido que poucos
não sabiam que seu nome era Luiz Henrique.
Procurando o que escrever dele, pouco se achou para colocar em
palavras, mas em sentimento caberia em um caminhão. Este menino,
ou jovem moço era apaixonado pela família e os amigos, era um
daqueles que tirava sua camisa para doar a quem não tinha.
De sorriso farto e coração grande, não há alguém que apontasse
qualquer descontentamento sobre ele. Adorava um bom tutu de
feijão com peixe frito principalmente feito no fogão à lenha.
Tinha como paixão os irmãos Marco Aurélio, Emilia, Jean, Eliza,
Jorge e Eduarda. Nascido do amor de Luiz Gonzaga dos Santos
(Luiz Pescoço) e Margarida Rosa de Oliveira Santos, Lick era um
daqueles filhos que gostava de estar rodeados pelos familiares e
dos amigos. Sua educação de base era semelhante as dos outros
amigos, tudo que ele aprendeu na infância era aplicado n a
adolescência e na vida adulta.
Quando criança já pensava nos outros irmãos. Quando ganhava
alguma coisa ou algo para comer guardava uma parte ou pedaço ao
irmão. Era um daqueles meninos que tiravam boas notas na escola,
mesmo sendo bom aluno não deixava de brincar, de pescar, de
jogar bolinhas de gude, de andar com estilingue no pescoço.
Gostava muito de participar das Folias de Reis, ajudava a fazer
farinha de mandioca. Vivia quebrando a cabeça quando chegava o
dia de pagar a conta de energia elétrica. Caiçara nato adorava
pescar, não era adepto a bagunça, nunca deu trabalho, bom
exemplo de pessoa, filho, amigo, não gostava de “pouca-vergonha”
como dizia os antigos.
Lick trabalhou com o pai na construção civil, trabalhou como
jardineiro e em seu primeiro salário fixo comprou uma moto. Esta
era sua outra paixão – o motociclismo, ele era diretor dos
barbados do Asfalto, uma irmandade moticiclistica. Seu último
emprego foi na Câmara Municipal de Ubatuba, onde deixou muitos
amigos.
Menino simples, dedicado e muito atencioso, Lick respeitava
muito as pessoas, principalmente os mais velhos. O reflexo do
respeito adquirido era reflexo direto pelo respeito que tinha
pelos outros. Ele adorava seu padrinho Rafael (tio Faé) que
ficava sentadinho em frente a porta da sala em sua casa.
Seu pai era o responsável pelo Baile do Pescoço, quem nunca
participou dos bailes da época do vinil, embalados por lâmpadas
coloridas na sala, algumas pintadas a mão, encostado no enorme
pé de pinheiro no quintal. Era da época em que as pessoas
ocupavam a rua com coisas boas, vale lembra que o baile é
responsável pelo surgimento de muitas famílias existentes na
atualidade. Nesta época Lick dava seus primeiros passos de
dança. Menino simples, dedicado e muito atencioso conquistava as
pessoas por seu sorriso farto, mas seu comportamento ainda é
exemplo a “molecada”, menino que não precisou entrar em “parada
errada” para ser alguém, nunca mexeu com ninguém e nem se meteu
em encrenca. Lick fazia questão de dizer que os seus melhores
amigos eram os que cresceram junto com ele, eram: Marcelo,
Maicon, Dinho, Tom, Wesley, Fernando, Chapuleta, Marco Aurélio,
Maninho, Adeílson, João Carlos e Nerlinck.
Orgulho do pai da mãe e da comunidade onde vivia. Infelizmente,
um acidente de moto levou este moço. Lick ia para Taubaté ao
encontro de sua amada e na entrada da cidade ele sofreu um
acidente com um caminhão. Foi um dia chuvoso, sábado de manhã,
trágico dia. Um dia antes, sexta, ele ouviu da mãe que não fosse
neste tempo de chuva, mas a saudade era muita e como a namorada
não podia vir por contas das provas na faculdade ele ia ao
encontro da moça. Naquela noite, sexta, ele ainda deitou na cama
dos pais, bem no meio dos sois e começou a assistir televisão e
ao mesmo tempo matava a vontade dos carinhos e abraços de seus
genitores.
As 10h30min do dia 19 de outubro de 2008, sábado, a mãe recebeu
um telefonema que mudou a vida de todos. A tragédia parecia
mentira. A tristeza pairou sobre a região. Mesmo na dor os pais
se impressionaram com a quantidade de pessoas que vieram a seu
velório. Gente até de outro estado, de todo o município, do Vale
do Paraíba, gente de todas as idades. Os familiares nunca haviam
visto tanta gente, os irmãos motoqueiros fizeram um pelotão a
frente do cortejo, em sua homenagem fecharam o transito para seu
corpo passar.
Os pais ganharam um quadro com a pintura de seu rosto e quem lá
for visitar poderá vê-lo na parede da sala, de um filho que
nunca saiu de casa. Em sua homenagem a Câmara Municipal de
Ubatuba aprovou um projeto de Lei que dá o seu nome a quadra
esportiva na entrada do Ingá, que até a presente data na foi
colocada placa com seu nome. A família recebeu ainda uma Moção
de Pesar também da Câmara Municipal, já que lê trabalhava lá,
onde fez e tem muitos amigos saudosos.
Apesar de novo, Luiz Henrique, que tem nome de rei fez história,
de exemplo, de dedicação, de amizade, de fraternidade.
Sua postura serve de exemplo de como um filho deve ser, de como
tratar as pessoas, de como dedicar-se aos sentimentos mais
nobres como o amor, o respeito, a simplicidade. Aos pais a
lembrança de um bom moço, que o pouco tempo de vida, cumpriu a
sua tarefa e que ao lembrar emociona os amigos e familiares.
Lick, seu sorriso ainda é visto por muitos e sua voz ainda pode
ser ouvida por nós, que com tanta saudade, choramos sua ausência
e desejamos do fundo de nosso coração dar ainda um grande abraço
em você. Que Deus sempre abençoe este bom moço!
EZEQUIEL DOS
SANTOS