Folia do Divino emociona moradores
tradicionais

Folia do Divino no Sertão
da Quina |
Após décadas de ausência da
Folia do Divino, moradores tradicionais se encantaram com a
visita do Grupo de Folia de Reis do Poruba e Itaguá que vieram
abrilhantar o dia dos trabalhadores no Sertão da Quina.
Como reza a tradição, a bandeira do Divino visitou as casas de
José João, José Félix, Benedita Cabral, Manoel João, Antonio
Correia e Maria Aparecida Correia. Muitos não acreditavam no que
viam, já que há pelo menos duas décadas a bandeira do Divino não
visitava as casas na região. Maria Aparecida Correia, 63, conta
que a emoção foi tanta que deu vontade de chorar.
Maria Luiza e Ana Eliza, netas de Maria também participaram do
grupo. “A bandeira do Divino trouxe muita paz aos moradores,
isto queremos passar as nossas crianças”, comenta Maria. A
visita repercutiu positivamente na comunidade, já que o evento
lembra o período de maior unidade na comunidade de toda a
região.
O divino, como também é chamado, foi trazido ao Brasil ainda no
período de seu descobrimento e passou por várias mudanças e
alterações, mas manteve a intenções originais – a unidade e a fé
das comunidades através da cultura. Quem não se lembra dos bons
tempos, dos almoços oferecidos à folia, as pessoas se amontoavam
nos quintais e nas casas para verem seus integrantes homenagear
o Divino Espírito Santo, não havia vergonha a este costume não
urbano.
A Folia, que é considerada um patrimônio imaterial de nosso povo
tem um valor inestimável e que muitos documentários, alguns
internacionais, retratam estas manifestações que são parte do
processo de preservação da identidade e formação cultural do
Brasil, com raízes profundas na formação dos elos de parentesco
entre as comunidades, forte relação histórica, social,
antropológica e espacial de colonização civilizatória de nosso
território. Por quase meio século, e, alguns pontos do país,
este patrimônio ficou adormecida.
Foi com o isolamento relativo, ainda do período da decadência
dos portos em Ubatuba que nossas populações aprimoraram seu modo
de vida de forma particular, destacavam-se o uso sustentável e
natural do meio ambiente e o reforço às identidades culturais.
Isto envolvia a grande dependência dos ciclos naturais,
conhecimento profundo dos ciclos biológicos e dos recursos
naturais, também se misturava as estes conhecimentos o
calendário religioso indígena, negro e europeu. Envolvia ainda
conhecimentos de tecnologias patrimoniais, simbologias, lendas e
até uma linguagem específica, com sotaques e inúmeras palavras
novas ou diferentes, algumas que fizeram parte dos cantos da
Folia e do Divino, assim como a confecção dos instrumentos
musicais e sonoros que estiveram nas casas visitadas. Como os
canoeiros de voga, a folia era considerada o jornal da época,
como eles viajavam muito levavam e traziam as notícias aos
lugarejos.
Importante descobrir que existe uma grande expectativa de
moradores para o retorno do Divino e que muitas outras famílias
anseiam a visita em suas casas. Bom para a cultura e bom para as
famílias.
EZEQUIEL DOS
SANTOS