Canto da Maranduba: belezas e
encantos de um passado glorioso

Canto da Maranduba |
Sabe aquela peça que fica
jogado no canto da casa que qualquer dia deste você pega e
começa a descobrir que é interessante que realmente você não
sabia nada sobre esta peça. Pois o canto da Maranduba é assim
como uma peça jogada no canto da casa, que só quando desperta a
curiosidade é que descobrimos seu valor. O local é ideal para
quem gosta de aventuras e de sossego ao mesmo tempo,
principalmente quem está com crianças ou é inexperiente no
quesito mergulho, pesca de vara ou até mesmo caminhar sobre as
pedras.
O canto da Maranduba pode ser alcançado por dois lados. Um pode
ser caminhando na praia até o rio Maranduba, tem de atravessar a
barra do rio. O outro é pela rodovia SP-55, depois entrando pela
estrada que dá acesso ao Quilombo da
Caçandoca entrando a
segunda à esquerda. As duas opções são interessantes, de um lado
a tranqüilidade da caminhada, o sossego das ondas, de outro lado
o movimento, o barulho dos barcos das garagens náuticas,
movimento de pessoas pescando nas pedras das laterais do rio,
tratores das garagens náuticas, pescadores e profissionais que
prestam serviço ao setor náutico. Parece que o visitante tem a
opção de atravessar duas paredes: uma urbana, que é barulhenta e
outra rural que é a da contemplação e sossego.

Mesmo com as mudanças
realizadas pelo homem, a beleza do local permanece com
há 50 anos. |
Do lado silencioso impera o som das ondas batendo nas pedras.
Quando a maré esta baixa e vazia é possível apreciar duas
pequenas praias, que parece ser particular. O clima de aventura
é natural, já que a mata nativa, porém não primária alcança a
areia. O ar de desbravador fica ainda mais claro nas crianças. É
fácil descobrir porque, a frente o mar as ilhas e toda a baía.
Do lado esquerdo o rio que desemboca no mar, a continuação da
praia que vai até a Lagoinha e as pessoas se deliciando do outro
lado. Ao fundo a continuação do rio, as marinas, os barcos de
pesca cheia de histórias. Do lado direito a mata, as areias que
se misturam as pedras, a ponta do continente que quase alcança a
ilha, tudo isso num só lugar onde os olhos alcançar em todo o
redor. Neste último lado é possível encontrar troncos de árvores
e restos de matas que ficaram a deriva e resolveram parar por
ali.
Os mais atentos podem fazer das pedras um pequeno aquário, é que
muitos seres vivos moram por ali, tantos os de água quanto os
que sobrevoam a baía. Muitos destes seres são inofensivos, mas
todo o cuidado é pouco. Por vezes é possível avistar pegadas na
areia de algum animal terrestre que resolveu descer da mata e se
arriscar em algumas braçadas na praia.
O local segundo os antigos já
foi palco de muitos encontros, quer seja pela pelo amor ou pela
dor. Eram por ali que as pessoas iam a Caçandoca e as demais
praias, ao cemitério, e as casas dos moradores daquelas bandas.
Na maré cheia as canoas de voga transpunham a barra para o
delírio dos moradores, já traziam as vezes muitas novidades e
noticias de fora. Lá era o local da escola da vida, eram
trocados várias informações sobre tudo. Ponto de referencia para
ir a todos os lugares. Muitas vezes tinham de esperar a maré
baixar para atravessar a boca da barra. As pescas começavam por
aquela região. No caminho atual (estrada) ainda é possível ver
na lateral a trilha que dá acesso ao canto desta praia. O local
possuía tanto alimento que não precisava ir longe para buscar o
almoço.
Poluição era coisa que ninguém sabia o que era. As mulheres
“catavam” sapinhoá, corondó, pegoava, saquaritá, guaiá, siri,
santola, rosquinha, praguaí (que as crianças guardavam para
brincar de escravos de Jó), marisco e pindá. Não era raro pegar
lagostinhas no rio que descia ao lado do cemitério. Claro que
era o suficiente para a alimentação da família e tudo de acordo
com o calendário natural. Os homens pescavam o suficiente para
salgar o peixe, já que era a única foram de guardar o pescado
fora de época. A fartura era uma benção, segundo contam. Quando
não caçavam, pescavam. Quando não podiam fazer nenhum dos dois,
plantavam, quando não isto, coletavam. Quando não podia nenhuma
das opções, comiam as reservas guardadas.
O rio era tão largo e fundo que era necessário uma balsa para
atravessa - lá. Depois a transfiguração pelo desenvolvimento a
qualquer preço mudou esta realidade. Mas ainda é possível ver o
charme deste canto, lá é possível mergulhar com snorkel e
observar as belezas submersas, principalmente às crianças e os
iniciantes, tudo observado por alguém responsável e experiente.
Local ideal para várias fotos dentro e fora dágua, trata-se,
pois de um dos pontos mais ricos do passado e que goza de
deliciosas férias no presente e no futuro quem sabe servirá de
exemplo de beleza, sossego, tanto aos animais quando aos homens
da terra, que quer matar a saudade do que é a natureza viva e
intacta, parte do seu sangue e da sua cultura.
EZEQUIEL DOS SANTOS